Projeto 2ª Água está gerando renda e melhorando a vida de quem mais precisa
A Fundação de Apoio à Agricultura Familiar do Semiárido da Bahia (FATRES), executa desde o ano de 2014 o Projeto 2ª Água no Território da Bacia do Jacuípe, em parceria com o Consórcio Público de Desenvolvimento Sustentável do Território Bacia do Jacuípe em convênio com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e, já implementou mais de 2.500 estruturas hídricas (tecnologias) sociais de captação de água da chuva, denominadas em cisterna calçadão, barreiro trincheira familiar e barragem subterrânea.
A ação do projeto vem melhorando a renda das famílias rurais e promovendo o desenvolvimento no campo através do armazenamento de água de boa qualidade para a produção agropecuária, implementadas em propriedades de agricultores (as), dos municípios de Pintadas, Capela do Alto Alegre, Ipirá, Baixa Grande, Mairi, Várzea do Poço e Quixabeira.
As tecnologias são oferecidas prioritariamente as famílias de baixa renda e residentes na zona rural, todas (as) os (as) beneficiários (as) passam por um processo de capacitação técnica em Gestão de Água para Produção de Alimentos (GAPA) e Sistema Simplificado de Manejo de Água para a Produção (SISMA), isso porque as famílias são preparadas para receberem além das tecnologias, kits produtivos que são divididos em cadeias produtivas como: Avicultura de Corte e Postura; Apicultura; Ovinocaprinocultura de corte e Caprino de leite; Fruticultura e Horticultura. “Esse caráter produtivo varia de tecnologia, no barreiro por exemplo o valor gira em trono de mil reais e na cisterna calçadão esse kit varia em até mil e quinhentos reais, e quem escolhe é a comunidade, o agricultor beneficiário, de acordo com a sua aptidão e demanda econômica, cultural e social”. Explica o coordenador de projetos da FATRES, Ernesto Gomes. O caráter produtivo é entregue e instalado na propriedade familiar logo após a finalização da tecnologia de armazenamento de água. “ A família recebe como se fosse um fomento, a diferença é que a gente não entrega o recurso financeiro, a gente instala o kit para a família começar a desenvolver seu trabalho gerar sua própria renda”. Destaca Ernesto.
Quem acabou de receber a cisterna calçadão e já está colhendo os resultados desta tecnologia é a Agricultora Valneide Santos (47) e o esposo José Raimundo Fraga de Oliveira (54), moradores da Fazenda Caixa D’água em Ipirá. Durante 23 anos o casal morou como empregados em fazenda próxima a comunidade e, há cinco anos regressaram a propriedade para trabalhar e garantir o sustento de forma independente. Toda a renda da família é da atividade na roça, além de criarem galinha caipira, criavam suínos e ovinos, mas com a escassez de água acabou desfazendo de metade da criação. “Fiquei apenas com as galinhas porque eu não tinha condições de comprar água e nem de construir reservatório, naturalmente as aves consomem menos água então eu optei por essa produção”. Disse o agricultor.
A princípio seu Raimundo criava galinha caipira de postura, apenas para comercializar os ovos e, para o consumo da família. Essa realidade mudou depois da queda no valor do produto. “O máximo que eu estava conseguindo vender era por R$ 3,00 a dúzia, nesse meio tempo meu genro sabendo que eu crio galinha caipira, me mandou uma chocadeira para eu fazer o teste, desde então as pessoas só procuram a ave para comprar”, explicou o agricultor, alegre, seu Raimundo afirmou ainda que a procura se deu porque as pessoas do município sabem que as aves são puramente caipiras, dessa forma o agricultor começa a comercializar os pintos a partir de 25 dias de nascidos, na feira livre de Ipirá e diretamente nos domicílios da comunidade e comunidades vizinhas.
Ao receber a cisterna seu Raimundo comemora, “foi Deus quem mandou esse povo aqui, tendo água tudo melhora, as despesas diminuem a produção aumenta, água é tudo na nossa vida”, disse ele se referindo a FATRES e ao Consórcio que são responsáveis pela execução do projeto 2ª água no Território Bacia do Jacuípe. “Nós já limpamos a área ao lado e quando chover que juntar mais água nós vamos plantar quiabo, abóbora, coentro, cebolinha, pimentão…” afirmou.
A cisterna também agregou outro valor na produção de seu Raimundo e dona Valneide, isso porque a tecnologia chega acompanhada com o kit de produção e eles escolheram avicultura, receberam do projeto a estrutura completa instalada com um aviário e 50 pintos mais a ração que vai ajudar a fortalecer ainda mais a produção, atualmente o casal conta com mais de 100 aves no quintal. “Antes a gente fazia pouca reprodução porque não tínhamos onde colocar os pintos recém-nascidos, não tinha lugar para acomodar, agora com o aviário vai ficar mais tranquilo porque assim que saírem da chocadeira já temos onde abrigar”. Disse Valneide.
Quem está na expectativa para a chegada da tecnologia é a beneficiária, Luciene Santos Teixeira (39), moradora do assentamento Aldeia também em Ipirá. A agricultora há nove anos mora no assentamento com o esposo e dois filhos, desde quando chegaram, começaram a diversificar a produção entre abacaxi, mandioca e, o forte da família é a atividade de apicultura, a produção é direcionada ao consumo e comercialização que é feito por safra.
A família que sempre viveu o desafio de produzir no campo sem água, logo em breve vai receber a cisterna calçadão em casa e já estão planejando como aproveitar a tecnologia. A única renda fixa vem do bolsa da família no valor de R$ 230,00 o restante Luciene vai complementando com a venda dos produtos que extrai da propriedade. “Como o nosso forte é a apicultura além de escolhermos o caráter produtivo dessa área, nós vamos aproveitar uma área próxima a cisterna para o plantio de maracujá que além de o fruto ter boa vendagem, a flor é muito boa para as abelhas fazerem a polinização”. Explicou Adriel Teixeira, de 17 anos, filho de Luciene.
“Foi o melhor presente que eu recebi” – disse Romilson Sampaio (58), morador da fazenda São Jorge. O agricultor está feliz com a cisterna calçadão no quintal da casa. O kit de produção escolhido pelo agricultor foi o de horticultura e já está todo plantado com cebolinha, alface, pimenta, pimentão, coentro e tomate. “Eu já enfrentei muita dificuldade aqui sem água, já houve tempo de a gente passar sem comer feijão por causa da falta de água, se cozinhássemos, ficávamos com sede, a poucos anos chegou água encanada, mas mesmo assim não podíamos manter uma horta, porque a conta vinha muito cara não tínhamos condição de manter”. Contou ele.
Na área onde foi implementada a tecnologia além dos canteiros do caráter produtivo, seu Romilson reservou uma tarefa para o plantio de melancia e aguarda as chuvas para armazenar água e plantar mais árvores frutíferas. “Tenho certeza que daqui posso tirar o sustento da minha família e se tudo melhorar como estou pensando, quero voltar a criar meus animais”. Disse o agricultor.

- Seu Romilson ainda utilizou sua criatividade e instalou todo o sistema de irrigação com os materiais que recebeu do caráter produtivo.
A FATRES garante finalizar o ano de 2017 com 1.996 barreiros trincheira familiar, 1.071 cisternas calçadão e 54 barragens subterrâneas implementadas no Território Bacia do Jacuípe. Finalizando a 6ª medição com 140 barreiros e 100 cisternas já com 92% de execução, “paralelamente a isso, estamos dando sequência a 7ª medição que é o processo de construção das tecnologias já estamos com áreas escavadas, pedreiros construindo cisternas, barreiros sendo cercados, nesta sétima medição são 150 barreiros e 100 cisternas”. Garantiu o Coordenador de Projetos da FATRES, Ernesto Gomes.
Por: ASCOM FATRES

