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Oficina de Monitoramento das Cadernetas Agroecológicas

A Fundação de Apoio à Agricultura Familiar do Semiárido da Bahia (FATRES), através da Chamada ATER para Mulheres, realizou na quarta-feira (01/06) a Oficina de Monitoramento das Cadernetas Agroecológicas na sede da FATRES em Valente. O principal objetivo da oficina foi ouvir as experiências das agricultoras a partir do trabalho com a metodologia nesses 08 meses de utilização.

Abrindo a atividade Urbano Carvalho, coordenador geral da FATRES falou das conquistas conseguidas para as trabalhadoras rurais e comentou sobre a atual cenário político e da importância de um voto consciente para garantia de direitos. Na oportunidade Carmem Miranda, técnica da Bahiater, relatou sobre sua história junto à luta pelos direitos e valorização do trabalho das mulheres rurais e sobre a elaboração das cadernetas agroecológicas, que surgiu no estado de Minas Gerais e hoje se encontra em todo o Brasil, a qual foi construída pelas técnicas junto às agricultoras e sociedade civil, tornando-se um instrumento de valorização de trabalho.

Explanando os resultados alcançados pelo Projeto SerTão Cidadãs, a coordenadora do projeto Valdilene Matos mostrou em números a produção, os rendimentos e lucros produzidas pelas beneficiárias, evidenciando o crescimento da produção e economia das famílias, tornando possível observar também a diversidade dessas produções. Em seguida a equipe técnica do projeto foi convidada a relatar sobre o trabalho com as beneficiárias e a experiência através da caderneta.

As agricultoras foram convidadas a socializarem suas experiências com o uso da caderneta e como é possível, através desse instrumento, se empoderar e mostrar que o trabalho advindo da sua propriedade pode ajudar no sustento da família, ganhando reconhecimento e respeito. “Vamos anotar, vamos participar, porque é a partir disso daqui que organiza nossa vida”, disse Maria da Paz, de Santaluz. Já Maria Margarida, de Ichu, comentou o quanto a caderneta é importante para que perceba a produção que existe na propriedade, “eu me surpreendi com a renda da minha propriedade (…) eu não tinha a dimensão do quanto eu tinha produzido”. Raimunda Moreira, de Santaluz, trouxe em seu relato como, através da utilização da caderneta, conseguiu mostrar ao seu esposo que era possível crescer e trazer sustento para a família através do seu artesanato e “foi assim que eu consegui fazer com que ele diminuísse o machismo dentro de casa”. Após os relatos foram divididos grupos de discussão para entender, através do método FOFA (fortalezas, oportunidades, fraquezas e ameaças) e ainda uma avaliação do antes e depois e como o uso da caderneta mudou a vida das beneficiárias.

O Projeto SerTão Cidadãs é realizado pela FATRES através da Chamada ATER Mulher, uma das ações da Bahiater, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e atende à 540 agricultoras do Território do Sisal, que visa a promoção da autonomia das mulheres rurais, a valorização do seu trabalho e, sobretudo, a geração de renda das famílias, na busca de melhorias e aumento das produções.

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