Cisterna escolar: água em quantidade e de qualidade como direito nas escolas do campo
O projeto 3ª água é especificamente para a implementação de cisternas nas escolas de comunidades rurais. No Território do Sisal a ação irá beneficiar diretamente mais de 1.000 alunos, além de garantir a qualidade de vida, a segurança alimentar e nutricional e a geração de renda para as famílias rurais.
No Território do Sisal, nove municípios estão sendo contemplados com o projeto 3ª Água, executado pela Fundação de Apoio a Agricultura Familiar (FATRES) em parceria com o Consórcio Público de Desenvolvimento Sustentável do Território do Sisal (CONSISAL) e Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O projeto visa atender as escolas públicas da zona rural que não tem acesso regular a água e que tenha no mínimo 50 alunos, alem disso, a equipe técnica do projeto faz uma visita para realizar um levantamento de toda estrutura física, da equipe gestora, da área disponibilizada pela escola e pela sensibilização para o melhor uso da tecnologia social.
A cisterna na escola do/no campo é um instrumento que granate a igualdade de oportunidades para os cidadãos e cidadãs terem acesso a educação contextualizada e a qualidade de vida. Mais do que implementar a tecnologia o papel educativo social da FATRES é preparar a escola para administrar de forma correta o uso da água. “A cisterna escolar é um patrimônio político pedagógico que interessa a um conjunto da sociedade e para as famílias que vivem, trabalham e estudam no campo ela é primordial para a garantia da educação e saúde de qualidade”. Afirma a educadora social da FATRES, Dilma Melo.
A demanda de levar cisterna às escolas, foi elaborada a partir das dificuldades por não ter acesso a água encanada na grande maioria das comunidades, com a dificuldade de abastecimento, muitas escolas enfrentam desafios, sobretudo para a preparação da alimentação dos alunos. “Diante destes desafios as Secretarias Municipais de Educação junto ao CONSISAL enviou a proposta para o MDS e essa luta tem apoio de varias outras instituições como a ASA, Conselhos de Segurança Alimentar, Territorial, dentre outras, trata-se de uma discussão coletiva entre os demais parceiros”. Explica o Coordenador do projeto pela FATRES, José Roque de Lima.
“Com a cisterna a água vai ser de qualidade, porque já veio água aqui no carro pipa que a gente nem sabe de onde vinha, e várias vezes já teve aula suspensa por falta de água na escola, eu acredito que a cisterna vai somar a qualidade dos alunos e do ensino”, destacou a merendeira da Escola Municipal Senhora Santana, da comunidade de Lagoa das Cabras, em Santaluz, Vonice Tomaz dos Santos. Na escola funciona também a creche municipal com 60 alunos nos dois turnos, desde a educação infantil até o 5º ano, alunos com um ano e meio até 09 anos de idade.
Nesta 1ª etapa do projeto 3ª Água serão implementadas 26 cisternas, atualmente já foram construídas 17 no total, 30% da demanda, sendo distribuídas cinco no município de Serrinha, uma em Barrocas, uma em Teofilândia, três em Valente, duas em São Domingos e Cinco em Cansanção. Com ação eficiente do Projeto, o custo que as escolas tinham com a compra de água diminui podendo investir em outras áreas que fortaleça e motive os alunos a permanecerem estudando.
No município de Valente uma das escolas que já recebeu a cisterna é a Escola e Creche Jorge Amado, da comunidade de Itareru. Quem comemora é a Diretora, Judite Silva dos Reis Pinho. “É muito importante adquirir essa cisterna pra preservar a saúde dos nossos alunos, nós temos aqui uma incidência muito grande de crianças com diarreia e problemas de saúde e sabemos que um dos motivos é a falta de água tratada, a escola já trabalha com os alunos a importância da água, os cuidados e a utilização, então é importante nossa escola ser beneficiada com uma cisterna de alta capacidade de armazenamento como essa”. Afirma a diretora. A Jorge Amado funciona com 105 alunos da educação infantil ao fundamental II.
A água chega às escolas como uma ferramenta de transformação social. Antes da construção das cisternas, o projeto também oferece o curso de Gerenciamento de Recursos hídricos (GRH) na comunidade contemplada, são oficinas que ensinam como deve ser utilizada a água e os cuidados a serem tomados para um bom aproveitamento da mesma. Além de cursos aplicados para pedreiros, os capacitado para a construção das cisternas, o projeto ainda capacita professores, merendeiras e zeladoras para que eles possam dar a continuidade ao projeto dentro da escola sensibilizado os alunos sobre a forma adequada de utilizar a água e assim, poderem aproveitar todo o potencial que uma escola tem de captar e armazenar.

- Em Serra Branca-Santaluz, Escola Municipal Senhor do Bonfim é uma das maiores, com 430 alunos do 1º ao 9º ano que também vai receber a cisterna.
“A maioria das escolas tem um telhado muito grande no período chuvoso a água é desperdiçada por falta de local para armazenar”, destaca Roque, “uma ideia bacana vinculada a este projeto é a oportunidade que os educadores juntamente com os alunos tem, em estarem fazendo o plantio de hortaliças, produzindo e utilizando essa prática como uma ação educativa”. Ressalta.
A Parceria – A FATRES executa desde 2015 o projeto 1ª Água, realizado pelo CONSISAL em parceria com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e tem por objetivo a universalização do acesso á água através da construção de cisternas de placas para captação e armazenamento da água da chuva para o consumo humano.
“O projeto 3ª Água vai inicialmente para as escolas com maiores necessidades e se nós não conseguirmos atender a demanda que existe dentro do território, nós vamos iniciar outra etapa até conseguirmos atingir a universalização, que é levar água em quantidade suficiente e de qualidade a quem precisa”, afirmou o coordenador geral do projeto pelo CONSISAL, Murilo Araújo.
Desde o inicio do projeto em junho de 2015, a FATRES já implementou cerca de 3 mil cisternas para uso familiar com capacidade para 16 mil litros de água no Território do Sisal, a meta é construir 11.687 cisternas. O projeto 3ª água tem os mesmos princípios de uso que a tecnologia de 1ª água, porém cada cisterna tem capacidade de armazenar 52 mil litros e implementada nas escolas da zona rural.
