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Caravana Semiárido Contra a Fome chega ao 5º dia passando pelo 4º Estado do Brasil

Depois de Sair de Caetés (PE) e passar por Feira de Santana (BA) e Belho Horizonte (MG), a caravana chegou em Guararema (SP) nesta Terça-Feira (31/07).

Um dos motivos mais fortes que levou a ASA – Articulação no Semiárido Brasileiro, organizar a caravana é a volta de cerca de 11,8 milhões de brasileiros para a extrema pobreza, os cortes em políticas públicas e o alto índice de desemprego. Fatores que apontam para o possível retorno do Brasil ao mapa da Fome. Organizações, redes e movimentos sociais do Semiárido estão cruzando o país denunciando a volta da fome, a retirada de direitos e reivindicando a continuidade das políticas públicas sociais.

A Fundação de Apoio à Agricultura Familiar do Semiárido da Bahia (FATRES) é uma das organizações que compõe a Caravana representando o Estado da Bahia. “Nós precisamos manter firme o nosso compromisso enquanto organização social e sindical, de lutar e levantar a nossa bandeira em favor da classe trabalhadora, por sermos uma organização integrante da ASA, nós estamos firmes e representados na Caravana do Semiárido Contra a Fome”. Disse o coordenador da FATRES, Urbano Carvalho, no ato público de envio da caravana em feira de Santana (28) com a presença de diversas representações sociais da Bahia.

Ato na Avenida Getúlio Vargas em Feira de Santana

A Caravana do Semiárido Contra a Fome é uma ação da ASA em parceria com movimentos sociais e populares do semiárido brasileiro, e está composta por 100 pessoas ligadas as mais diversas organizações sociais, movimentos como comunidades eclesiais de base, comunidades de frente e fundo de pastos, assentados (as) e acampados (as) da reforma agrária que saíram de Caetés (PE) no dia 27 de julho e depois de passar por Feira de Santana (BA) e Belho Horizonte (MG), a caravana chegou em Guararema (SP) nesta Terça-Feira (31/07).

Alexandre Henrique Pires, um dos integrantes da coordenação executiva da ASA, afirmou que a caravana tem sido construída a partir de um sentido forte que é o sentido de um grito do semiárido contra as injustiças que volta a viver o Brasil de forma muito mais intensa e que esse momento representa o conjunto das organizações, comunidades populares e pessoas que estão juntos na caravana. “Entendemos assim que não é apenas as 100 pessoas que segue a viagem na caravana, mas sobretudo aquelas pessoas que nos acolhem em cada localidade e estado, assumem o compromisso de viver a caravana, refletindo sobre o porquê a fome voltou a aumentar e mais presente nas nossas cidades e comunidades, esse é o sentimento de vivência da Caravana” ressaltou Henrique.

Caravana reunida na Escola 07 de Outubro – CUT -Belo Horizonte

Para quem segue na caravana o sentimento é de poder construir caminho para participação da luta pelos direitos e a garantia da não volta da fome. “Esse momento representa a nossa força, povo que ousa lutar pelo que realmente precisamos, eu sou agricultora e nós do campo temos dois jeitos de viver, um é comer o que produzimos e o outro é comercializar o excedente para garantir renda e poder de compra de outros alimentos que não produzimos, essa política já estamos perdendo com os cortes do PAA e PNAE, nós não vivemos só do que produzimos, mas da possibilidade de ter garantia de renda”. Disse a agricultora, Vera Lucia Feliz de Brito, do Sítio Serra Bonita, Palmeira dos índios (AL).

O que vem acontecendo na Caravana – Depois do ato inaugural em Caetés que deu início a partida, a primeira passagem foi por Feira de Santana, onde aconteceu um ato público com panfletagem e bandeiraço pelo centro da cidade e finalizou com um ato público de envio da Caravana. De Feira, a Caravana semiárido Contra a Fome fez a partida mais longa até Belho Horizonte, onde desembarcou na segunda-feira (30), na manhã aconteceram duas reuniões livres com os representantes do MST e de todos os integrantes, a tarde os trabalhadores (as)  ocuparam a praça 7, centro da capital mineira para entregar panfletos e dialogar com a população sobre a volta da fome ao Brasil, sobretudo na região do semiárido.

Caravana na mística final do Ato Público no centro de Feira de Santana -BA
Panfletagem na Praça 7, BH

No fim da tarde o grupo ainda fez uma caminhada até o Armazém do Campo e participaram de um ato público com a presença de artistas e políticos, dentre eles, estavam o deputado federal Patrus Ananias (PT) e o músico Flávio Renegado. Depois do ato, a Caravana para Guararema (SP) e visitaram a Escola Nacional Florestan Fernandes. “Sabemos que há ainda no Brasil um desperdício muito grande de alimentos, mas muito mais do que isso, há uma concentração de renda na mão de poucos que impedem aqueles que trabalham possam ter acesso a compra de alimentos e sobretudo alimentos saudáveis”. Reforçou o Coordenador de Políticas Pedagógicas da Escola Florestan, Álvaro Anacleto. A Florestan é uma escola que trabalha o processo de formação político ideológica onde o alimento é a principal parte desse processo de formação.

Caravana reunida na Escola Nacional Florestan Fernandes (SP)

Na quarta-feira (01/08) a caravana segue seu percurso para Curitiba (PR), onde participa da Vigília Lula Livre. Da capital paranaense, partem rumo a Brasília onde haverá um ato em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) intensificando as denúncias sobre as injustiças sociais que afetam o Semiárido Nordestino.

 

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